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Eu sou uma leitora/escritora apaixonada por fanfics de Harry Potter que gostaria de dividir com outras pessoas como eu minhas idéias, fics e notícias sobre este universo tão mágico. E, é claro, saber o que vocês tem a dizer sobre isto tudo.

Sobre espelhos...


Além do Espelho, 2 de Abril de 2009


Olá página em branco que tudo aceita!


Eu havia planejado falar hoje sobre a estupidez, mas algo maravilhoso simplesmente veio pousar sob meus olhos: Narciso, não a lenda e, sim um conto que me deixou fascinada e inquieta.


[ E eu tenho o pressentimento de que não irão me faltar oportunidades para abordar o abismo infinito da imbecilidade humana.]


Narciso é uma fábula moral sobre a vaidade, o excesso de amor próprio. Pelo menos o que todos conhecemos. Mas o que a imagem do espelho de Narciso veria?


Eu acredito que a imagem do Narciso mitológico veria o Narciso do conto que tive a honra de ler.

O Narciso do conto não se apaixona pelo seu reflexo, pelo contrário, tal imagem o exaspera, enfurece, amedronta. Ele não definha de amor em frente ao espelho, mas adia o confronto com tal objeto – quase mágico – e age tentando, desesperadamente, dissociar-se da visão de si mesmo.


Então... Há algo de errado com os espelhos? Não. São apenas objetos prosaicos do nosso dia-a-dia.


Mas há sempre algo maravilhoso e único no modo como um ser humano olha para um espelho.


Estes objetos que excitam o imaginário humano desde o início dos tempos são vistos como mágicos, portais para mundos imaginários, mostram os desejos mais profundos, a verdade impiedosa ou os medos mais arraigados. A ciência diz que são simplesmente superfícies refletoras de raios luminosos. Mas quem é a ciência para suprimir a fantasia?


Narciso – mitológico - se apaixonou pelo seu reflexo.


Cada vez mais pessoas são acometidas pelo chamado Transtorno Dismórfico Corporal, que as leva a odiar profundamente a imagem no espelho.


Alguns, idosos em sua maioria, têm medo. E os cobrem ao primeiro sinal de tormenta.


As crianças brincam e tentam, usando espelhos como portais – para a fantasia ou além? -, convocar Joana D’arc do mundo dos mortos.


A maioria só os usa como uma ferramenta de vaidade. Só parando realmente para notá-los quando vêem o reflexo de uma olheira mais profunda, um fio de cabelo branco ou uma espinha.


Quantos realmente encaram o reflexo no espelho e se perguntam quanto daquela imagem é real? Quanto é uma ilusão habilmente fabricada por si mesmo? Quantos conseguem enxergar mais do que a mera transformação física?


Ocasionalmente, eu paro para tentar me “ver”.


É difícil e assustador.


Me “vendo” no espelho eu descobri que perdi algo. Perdi um sorriso. Um sorriso que eu tenho registrado em algumas fotos. Ele não está mais lá, no reflexo do espelho. Será que eu o perdi? Ou foi somente parte do processo de amadurecimento? Os adultos não sorriem como as crianças? Eu não sei, mas eu sinto saudades dele.


O conto Narciso resgatou esta lembrança do fundo de minha mente. Obrigada, Narciso! Eu não quero esquecer aquele sorriso.


Mas Narciso é melancólico, apesar de ter me presenteado algo semelhante à alegria. Se desespera, apesar de ter me dado alguma serenidade. Por isso, eu prefiro ver o conto Narciso como um espelho que mostra uma imagem virtual, exata em proporções e magnitude, mas invertida.


O que você vê quando se olha no espelho?


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Diário de uma ficwriter excêntrica by Bella Snape is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

4 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tom Riddle disse...

"Quantos realmente encaram o reflexo no espelho e se perguntam quanto daquela imagem é real? Quanto é uma ilusão habilmente fabricada por si mesmo? Quantos conseguem enxergar mais do que a mera transformação física?"

Pois é. Realmente.

Coimbra (: disse...

Belissimo. Sim, espelhos são fundamentais na sociedade e "inocentes" vilões. Eu mesma me odeio olhar pro espelho. Menos na hora que acordo. Adoro quando a minha cara de récem-acordada. ;)

Anônimo disse...

Respondendo a pergunta, quando eu me olho no espelho vejo tudo que fui e tudo que...Sou hoje uma somatória de todos os caminhos que cruzei, de todas as tortuosas trilhas por onde ousei caminhar;
sou o produto dos meus erros irrefletidos e dos acertos passados;
sou a ansiedade que teima em persistir;
ou a incoerência de me assumir como sou, controversa, impulsiva, antropofagicamente devoradora, na linha extrema da provocação;
sou a teimosia de acreditar na possibilidade e potencialidade da compreensão do outro...
Sou, pois, uma imagem perdida no espelho que se reconhece e se estranha a cada momento...
Sou uma tentativa permanente face ao inusitado da vida...
Sou a coragem de desbravar e empreender caminhos novos...
Sou uma pedra no caminhos dos bem-comportados, dos já plenamente assentados no comodismo da vida...
Sou o avesso da presunção...
Sou o produto final de dores e sofrimentos muito particulares, mas, também, por outro lado, o produto de alegrias (ainda que pequenas, mas, nem por isso menos importantes), de acertos (conseguidos duramente), de ousadias (cada qual com seu preço)...
Sempre processo, sou, enfim, o ponto de chegada (ou de partida) das barras que enfrentei...

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tom Riddle disse...

"Quantos realmente encaram o reflexo no espelho e se perguntam quanto daquela imagem é real? Quanto é uma ilusão habilmente fabricada por si mesmo? Quantos conseguem enxergar mais do que a mera transformação física?"

Pois é. Realmente.

Coimbra (: disse...

Belissimo. Sim, espelhos são fundamentais na sociedade e "inocentes" vilões. Eu mesma me odeio olhar pro espelho. Menos na hora que acordo. Adoro quando a minha cara de récem-acordada. ;)

Anônimo disse...

Respondendo a pergunta, quando eu me olho no espelho vejo tudo que fui e tudo que...Sou hoje uma somatória de todos os caminhos que cruzei, de todas as tortuosas trilhas por onde ousei caminhar;
sou o produto dos meus erros irrefletidos e dos acertos passados;
sou a ansiedade que teima em persistir;
ou a incoerência de me assumir como sou, controversa, impulsiva, antropofagicamente devoradora, na linha extrema da provocação;
sou a teimosia de acreditar na possibilidade e potencialidade da compreensão do outro...
Sou, pois, uma imagem perdida no espelho que se reconhece e se estranha a cada momento...
Sou uma tentativa permanente face ao inusitado da vida...
Sou a coragem de desbravar e empreender caminhos novos...
Sou uma pedra no caminhos dos bem-comportados, dos já plenamente assentados no comodismo da vida...
Sou o avesso da presunção...
Sou o produto final de dores e sofrimentos muito particulares, mas, também, por outro lado, o produto de alegrias (ainda que pequenas, mas, nem por isso menos importantes), de acertos (conseguidos duramente), de ousadias (cada qual com seu preço)...
Sempre processo, sou, enfim, o ponto de chegada (ou de partida) das barras que enfrentei...

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